CV


Cassio Leitão (São Paulo, 1962)
Formado pela FAAP em 1985 se divide entre as artes visuais, gráficas e fotografia,
sendo atualmente a pintura sua principal atividade.
Vive e trabalha em São Paulo.

EXPOSIÇÕES


Individuais:
2016 MUnA Museu Universitário de Arte da Universidade Federal de Uberlândia / MG.
2015 MAB Museu de Arte de Blumenau / SC.
2015 MARCO Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul, Campo Grande / MS.
2014 MAB Museu de Arte de Blumenau / SC.
2014 UNESC Universidade do Sul Catarinense, Criciuma / SC.
2014 MARCO Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul, Campo Grande / MS.
1994 Galeria Gumercindo, São Paulo / SP.
1989 Espaço OFF, São Paulo / SP.

Coletivas:
2017 Galeria Temporária, Transmeio, São Paulo / SP.
2015 Complexo Cultural, Janelas (com Jair Bortoleto), Santos / SP.
2015 Urbanopop, São Paulo / SP.
2015 Fondazione Giorgio Cini, Map of the New Art, Veneza / Itália.
2015 Instituto Tomie Ohtake, Escola Entrópica, São Paulo / SP.
2015 Auditório Ibiraquera, Festivalma'15 - Board Connection, São Paulo / SP.
2015 Matilha Cultural, Conectearte, São Paulo / SP.
2014 21º Salão de Artes Plásticas de Praia Grande / SP.
2014 Instituto Tomie Ohtake, Núcleo do olhar, São Paulo / SP.
2014 MARP Museu de Arte de Ribeirão Preto / SP.
2013 Galeria Espaço Escultural, São Paulo / SP.
2013 Casa de Cultura, Prêmio Belvedere, Paraty / RJ.
2012 Fundação Bienal, Festivalma’12, São Paulo / SP.
2011 Fundação Bienal, Festivalma’11, São Paulo / SP.
2009 Fundação Bienal, Festivalma’09, São Paulo / SP.
2007 Galeria Mezanino, São Paulo / SP.
1991 Espaço Til, São Paulo / SP.
1990 Espaço Phaton, São Paulo / SP.

COLEÇÕES


MARCO Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul.
UNESC Universidade do Sul Catarinense.
MAB Museu de Arte de Blumenau.
Imago Mundi, Luciano Benetton Collection.

TEXTOS


Juliana Monachesi para exposição Natura x Cultura, 2014

Motivo: Desastres: A arte recente de Cássio Leitão

Os desastres naturais, na série recente de pinturas de Cássio Leitão, não são um tema propriamente dito. Funcionam mais como motivo, como subterfúgio para pintar essas formas um tanto disformes e essas cores enevoadas, senão soturnas de tudo. O artista parte de fotografias de catástrofes para compor as telas, mas elege predominantemente ângulos fechados, que fazem o olhar patinar pela superfície da pintura, sem saber qual a escala dos destroços. Contribui para a sensação “deslizante” o fato de que o artista carrega nas tintas e não se sente, em momento algum, preso ao assunto, apegado a verossimilhanças.
A escolha deste assunto, então, parece sugerir um desejo de abstração. Afinal, poucas formas são mais indefinidas do que a de escombros de construções arrastados pela força da natureza e depositadas sem hierarquia nenhuma uns em cima dos outros a quilômetros do local original onde se erguiam antes do desastre. Reforça-o (o suposto desejo de abstração) a indefinição entre pincelada e desenho nas pinturas da série. Não há vestígios de desenho anterior na tela, mas as formas construídas apenas com a cor são, eventualmente, conectadas por uma pincelada unificante, que parece contorno e remete a desenho.
Finalmente, vale notar nesta série, a paleta tipicamente paulistana de algumas pinturas, com tons rebaixados e ausência de preto. Além, claro, da opção do artista por, em certas telas, deixar visível um fragmento de uma obra anterior que estava por baixo da pintura final. Segundo o próprio Cássio, não lhe interessa partir do zero quando vai iniciar uma tela.
O procedimento aponta, a meu ver, uma outra filiação relevante: a de artistas apropriacionistas e colagistas que recusam o espaço supostamente neutro do cubo branco, assim como da tela branca. Um bom começo para uma trajetória longa que, agora, deslanchou!
Monica Tinoco para exposição Compensado, 2015

...quem somos nós, quem é cada um de nós senão uma combinatória de experiências, de informações, de leituras, de imaginações? Cada vida é uma enciclopédia, uma biblioteca, um inventário de objetos, uma amostragem de estilos, onde tudo pode ser continuamente remexido e reordenado de todas as maneiras possíveis.
CALVINO, Italo. Seis propostas para o proximo milênio. São Paulo, Companhia das Letras, 1990, pg.138.


O escritor Italo Calvino, em uma série de conferências as quais procuravam pensar quais as virtudes a humanidade deveria cultivar durante o desenvolvimento do século XXI, dedica um capítulo exclusivo à questão da multiplicidade. O autor analisa, através de comentários baseados em textos literários, o anseio contemporâneo em saber tudo, a sedução e a desmesura do desafio de conter a totalidade do conhecimento do mundo, encerrando-o num círculo, cuja ambição seria englobar todo o possível, ouvir todas as vozes, acomodar todos os sujeitos e abraçar todos os olhares.
Calvino observa que a tentativa de compreender o mundo na multiplicidade de seus códigos, torna a tarefa inconclusa, por força de seu próprio sistema vital. O mundo vai dilatando-se ou adensando-se em seu interior, no conjunto das teias de visões pluralistas e multifacetadas que vão se multiplicando, com potencial infinito.
A série Compensado de Cassio Leitão parece conter a virtude da multiplicidade. Cada pintura individualmente possui um pensamento pictórico particular, próprio e interessante. Porém, o artista não se atém ao fato, logo realiza outra pintura, já que um pensamento o levou à outro; e rapidamente ele tece uma teia de soluções pictóricas em composições de conotação e efeito variados.
Não há narrativa linear, os acontecimentos da pintura se dão em fluxos, ora expansivos, ora contrativos; por vezes contraditórios ou acumulativos. Um aspecto levantado aqui, uma solução pictórica, uma forma, uma côr, é repetido alí, de outra maneira, visto de outro ângulo, pensado em outra cor. Por força de sua própria vocação constitucional, a tarefa da pintura do Compensado é inconclusa e potencialmente infinita.
Fica evidente nas pinturas de Cassio Leitão a rapidez de execução, a pintura de qualidade “breve”, a qual permite descrever estruturas pictóricas inventivas e expressivas com densidade individual mas que ganham corpo pela concentração modular e acumulativa de sua potencialidade infinita. No seu conjunto, a série Compensado é uma “longa” pintura, composta de pinturas “breves”.

PARCEIROS


Allan Salles
Amalhene Reddig
Angelo Palumbo
Beto Faria
Billy Castilho
Carlos Fernando
Celso Curi
Cesare Pergola
Ciro Girard
Claudia Briza
Claudia Laudissi
Cristina Veit

Denis Moses
Edu Rodrigues
Eliana Finkelstein
Fanny Feigenson Grinfeld
Feco Hamburger
Felipe Cama
Fernanda Papa de Boer
Gabriela Song
Galciani Neves
Gisele Bieguelman
Guto Lacaz
Hugo Curti
Jair Bortoleto

Juliana Monachesi
Jurandir Valença
Lucia Mendes de Almeida
Marcelo Pallotta
Marcelo Tolentino
Marcos Villas Boas
Maysa Leite de Barros
MIa Avila
Monica Tinoco
Nilton Campos
Patricia Rabello
Paula Azulgaray
Paula Scavazzini

Paulo Pasta
Rafic Farah
Regina Parra
Renato de Cara
Reynaldo “Zap!” Maldonado
Ricardo van Steen
Roberta Tassinari
Rodolpho Parigi
Rodolfo Rezende
Rogerio “Rox” Rezende
Romeu Andreatta
Tatiana Dalla Bonna
Vitor Cesar